quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O tempo:

impiedoso ourives
lenta e letalmente
        ora
     irônico
        ora
   caprichoso
cumpre seu ofício, 
       sutil e
     silencioso

Como a água que
incansavelmente

        gota
           .
           .
           .
          a
           .
           .
           . 

         gota
           .
           .
           .

      insiste
    até esculpir
     formidável
      estalactite

O tempo:

       Nos elegeu
 sua matéria-prima
      e gentilmente
     nos convida
     à valsa suicida
 à  derradeira esgrima


  nessa coreografia
     de vida e morte
 lançamos nossa sorte:

      _Monsieur,
       en garde!
     S'il vous plaît 

   graciosos saltos
   rodopios elegantes
   e o golpe final virá:

       _Touché!

  Como que uma mesura 
        a nos lançar
    quase  com ternura
      na mais profunda
            cova
   na noite mais escura
   lacrando para sempre
      a nossa sepultura!

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

INÚTIL

Engolfado no universo da "desimportância"
Eu "desexisto" com perplexidade
Simples na deselegância
Complexo na simplicidade

As rimas fáceis da minha arrogância
São jogos vagos na vacuidade
Eu ignoro a significância
Para dar azo à sonoridade

Nessa gincana de irrelevância
Nesse balaio de futilidade
Vibram as odes à banalidade.
Entre um segundo
e outro
aleatório
em um infinito
permanentemente
transitório
De maneira
única  e vária
flutuamos
na matéria
Imaginária
logo sinto
que em alguma
esquina
desse
labirinto 
na surdina
ínfima
vítima
sob o signo
da negligência
fibrila
nossa
quintessência.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Obrigado!

Quando gira
da Fortuna a Roda
Eu suspiro:
_Caralho! Tá foda!
E sigo no meu caminho
Entre um e outro tombo
E várias lapadas no lombo
Ergo os olhos, nunca esqueço
Entredentes, agradeço
Pela vida pobre e bruta:
_Obrigado, seu Filho da Puta!

quarta-feira, 27 de março de 2013

O caminho é esse, quem tem coragem de divulgar?

Chega a ser chato acompanhar os movimentos da sociedade organizada contra as mazelas dos entes políticos e órgãos públicos como o Poder Judiciário e seus 1 trilhão de recursos que emperram a realização de justiça e a satisfação social. E porque chega a ser chato? Porque não resolvem nada! Não atacam o real problema, só seus sintomas, se há Marcos Felicianos, Renans, Malufs, Sarneys, se o alto escalāo do Judiciário tem como "punição-mor" a aposentadoria, que seria um prêmio, um plus, uma carta de alforria para uma parcela majoritária da sociedade, isso tudo é culpa do círculo vicioso: povo despreparado vota em candidato ladino, é a velha fórmula: quem detém o conhecimento subjulga (facilmente) quem não tem! Culpa dos próprios políticos, que têm interesse no status quo, culpa do próprio povo que é conivente, e hoje poucos são os completamente ingênuos, culpa dos meios de comunicação de massa que são agentes imbecilizantes, e finalmente culpa da CONSTITUIÇÃO de 88 que serviu de refúgio e desculpa para que os membros do alto escalão dos 3 Poderes se blindassem, se tornassem cidadãos de categoria especial, que tudo podem! Com a HOJE injustificada desculpa de medo de um possível retorno do militarismo, essas categorias aproveitaram para se locupletar, a corrupção ao contrário do que se esperava com o fim do militarismo, cresceu exponencialmente e ficou até debochadamente escrachada, não que o período de trevas da ditadura fosse bom, longe disso, mas seu fim, não significou o fim da corrupção. E tem solução? Tem e não é nada mirabolante! A solução é uma nova Constituinte com o fim dos privilégios desnecessários e injustificados de políticos, juízes, membros do MP etc... é uma justiça moderna, ágil, com poucos e imprescindíveis recursos, sem margem para procrastinações, é a batida ladainha de investimentos em educação, reforma política com voto distrital, talvez financiamento público de campanhas, a solução passa por menos igrejas e mais escolas, enfim é muito mais do que abaixos assinados, faixinhas, caras-pintadas e gritinhos de palavra de ordem, a solução requer uma TOMADA DA BASTILHA! A pergunta é: quem está nessa?

segunda-feira, 19 de março de 2012

Último Ato:

O velho bufão está circulando pelo cubículo, ruminando pensamentos nada afáveis, há um cheiro leve e reconfortante de mofo no ar, os móveis são visivelmente ensebados, porém mantém alguma dignidade a atmosfera é pesada, as cortinas estão fechadas e a luz é pouca, como convém a um aposento que se pretende aconchegante como um útero de segunda mão, há exagero na decoração, o velho bufão chega a resmungar em tom baixo, as conclusões a que chega não são desprovidas de alguma razão, porém os pensamentos estão confusamente desconectados, tracejando voltas irregulares, uma após a outra, finalmente conclui: _Maldição! Vou me deitar, agora mesmo! Dito isso, passa da conclusão à ação: mete-se debaixo de suas cobertas em sua cama majestosa e decadente. Não pretende levantar-se NUNCA MAIS! Fim.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

In medio stat virtus! (Aristóteles) Será?

No meio a virtude, ou seja sem exageros e extremos, mas em busca de um equilíbrio está a virtude, um pensamento coerente e muitas vezes incontestável do ponto de vista retórico, mas e na prática? É assim? E na aplicação empírica? Eu sou um bom exemplo de um ser medíocre (sim, medíocre, sem a carga pejorativa que lhe é atribuída, quer apenas dizer mediano), pois eu não sou extremado em nada: Não sou muito alto, nem baixinho demais, não sou magro, nem gordão, não sou rico, nem pobre tampouco, não sou lindo, nem feio, não sou bem sucedido, nem fracassado, não sou genial, porém tb não sou burro, enfim, um perfeitíssimo exemplar de homem mediano, aliás caminhando pra uma idade mediana tb, nem jovem, nem velho...E o que percebo de ser mediano é que não é nada virtuoso, é antes de tudo, apesar de englobado por uma categoria majoritária, viver em um limbo, uma massa cinzenta, amorfa e desunida, carente de uma identidade forte, de uma característica que sobressaia... Uma vida mediana é uma vida sem muito sal e sem açucar, com uma paz opressora, uma certeza paquidérmica de que o amanhã se não for cópia do hoje será muito semelhante, não consigo ver virtude alguma nisso! Antes ser um desajustado com uma vida meteórica, curta, eletrizante e fugaz, ou mesmo um pária, bem situado e enturmado com seus iguais, apaziguado pela descoberta de seu nicho, do que um mediano tão distante do extremo paradisíaco logo acima, onde os exageros lhe são permitidos pelo poder e status, qto do andar debaixo, mundo cão onde há tb uma liberdade árida dos que sabem que nada tem a perder. A mediocridade é uma prisão, nada virtuosa na prática.